
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Fado Safado do Palhaço Português

Prosesia* para Edilson

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Dust in the Wind


quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
“EU TENHO ORGULHO... DE SER AMAZONENSE”

Retirado do site http://www.adelsonsantos.blogspot.com/
De Adelson Santos (12/2008) *
O filósofo Platão classificava os artistas de dois modos: os apologistas, ou seja, aqueles que exaltavam as qualidades da república, e os “amolecedores dos costumes” que, ao contrário, denunciavam as mazelas da mesma república. Para os apologistas, Platão ofertava os lazeres do ócio republicano. Para os “amolecedores dos costumes”, ele mandou jogar fora da cidade, igual como fez Mao Tse Tung na sua deletéria revolução cultural para implementar o comunismo na china.
Está passando na televisão um vídeo onde alguns artistas famosos do reino da clorofila, aparentemente felizes, alegres e sorridentes, cantam a pleno pulmões: “eu tenho orgulho... de ser amazonense... eu tenho orgulho... de ser amazonense”. Que lindo. É difícil de ver e ouvir isso, ou seja, amazonense falando bem de Manaus ou do Amazonas. Na verdade, acho muito bonito cantar que a terra onde a gente nasceu é a melhor do mundo. É uma prova de afeto dos grandes. Mas pra que isso aconteça, ou seja, pra você propagar que ama a terra onde nasceu, é preciso que esta terra ofereça condições sociais, culturais e econômicas para que todos se sintam bem e felizes. Quando digo todos, estou me referindo ao sentido literal da palavra, ou seja, absolutamente todos, e não apenas para “os de cima” e mais uma dúzia de artistas apologistas cantando aparentemente felizes, alegres e sorridentes: “eu tenho orgulho... de ser amazonense”.
Acho que Manaus com todos os delírios de parecer que é uma cidade cosmopolita e civilizada, habitada por um povo cordial que trata bem os que chegam de fora, pra mim nada disso me incentiva nem a cantar, como fazem os artistas apologistas, e nem elogiar Manaus como uma cidade agradável para se viver. E além do mais, acho a propaganda feita pelos apologistas, enganosa e alienante, daquelas que tentam transformar uma mentira em uma grande verdade. E toda vez que toca a tal música na televisão com os artistas sorridentes, imitando aquele célebre jingle “We Are The World” (qualquer semelhança é mera coincidência, até mesmo porque “We Are...” foi feito para arrecadar fundos para a fome na África, e o “Eu Tenho Orgulho...” foi feito para fazer propaganda política), enfim, eu fico me perguntando se os artistas apologistas acreditam mesmo naquilo que estão cantando, ou se apenas estão representando e pondo suas vozes à serviço da propaganda enganosa, simplesmente para faturar o leite das crianças com a mixaria paga pelo Estado pelo trabalho de cantar no jingle.
Sinceramente, bem que gostaria de propagar da mesma forma o meu amor por Manaus e de ter orgulho por ser amazonense. Gostaria mesmo, de verdade. Entretanto quando vejo em propaganda de outdoors espalhados pela cidade que os tataranetos de Ajuricaba estão sendo iludidos “pelos de cima”, com as ilusórias e redundantes promessas de que estão construindo o futuro (é bom lembrar que esse negócio de construir o futuro é só pra enganar “os de baixo” porque pra eles, “os de cima”, estão todos é curtindo o presente da “dolce vita” clorofilada). Quando vejo os mestiços da aldeia recebendo educação de terceiro mundo, ou seja, a famosa educação dos excluídos, prontos para virar lixo humano na primeira curva do rio; morrendo pelos corredores dos hospitais por falta de leito e de médicos; apanhando sol e chuva em paradas de ônibus (isso quando tem ônibus); vivendo sobressaltados em tempo de chuva pelas enchentes dos igarapés que “os de cima” invadem as margens para construir suas casas em condomínios de luxo; saindo de casa cinco horas da manhã para trabalhar no distrito industrial e voltar sete horas da noite para depois ganhar um salário de fome no final do mês, sinceramente, tudo isso me deixa de língua travada para dizer que “eu tenho orgulho de ser amazonense”.
Quando entro numa de flanar pelas ruas de Manaus - na verdade esgotos a céu aberto - e vejo assaltantes perseguindo e roubando pessoas de bem em frente de casa em plena luz da manhã; filinhos de papai estacionando seus Hilux e Hiunday do ano em fila dupla impedindo o trânsito de fluir normalmente (cadê o DETRAN que só serve para incentivar a indústria de multas); flanelinhas com cara de fome pedindo pro “patrão” um troco pra comprar um prato de comida. Quando vejo na mídia os mesmos e antigos políticos medíocres enganando o povo com seus discursos teias, seduzindo com falsas promessas os pobres corações amantes do nosso Brasil, ofertando um quilo de feijão, uma receita médica ou uma bolsa família em troca de voto (isso pra não falar de outras canalhices e sujeiras mais abrangentes que as TVs escancaram nos noticiários todos os dias), sinceramente, se eu tivesse sido convidado para cantar: “eu tenho orgulho... de ser amazonense”, com certeza jamais entraria nessa presepada. Primeiro por ser uma propaganda enganosa feita para iludir e ludibriar os pobres corações amantes dessa coisa indefinida, enigmática e mal resolvida chamada Manaus. Segundo porque isso contraria minha consciência artística, nega minha integridade profissional, e perturba o pouco de lucidez que consegui preservar, com bastante esforço, junto com a minha dignidade de cidadão.
Tel: 32364960 // 99919237
Air Mail: santosadelson@hotmail.com
sábado, 27 de dezembro de 2008
Saiba como Gravar um Bom som com Baixos Custos

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Trabalho Final de Graduação em Música

Migrei para educação musical. Dói o meu estômago só de pensar nos PCNs para artes. Será que eu poderia chamar aquilo de engodo? É tão elevado e ao mesmo tempo tão inútil. Diz tanto e acaba não dizendo coisa alguma. Comprei no Arqueólogo por RS 18 ,00 um dos exemplares raros de 1ª edição deste logro. É neste estratagema que está inserida a ramificação musical das artes. Esta belezoca literária determina aos professores de Ensino Médio a preparar os alunos para a genialidade musical, desde composição polifônica à construção de instrumentos musicais de diversos timbres e registros. Nem os graduados sabem tal feito! Recusei-me novamente. Apesar de saber que interessaria a banca um trabalho como este, pois está ligado diretamente aos pré-universitários de música e à qualificação educacional musical, meu estômago recusou tal assunto. Só de escrever este parágrafo já fico nervoso de raiva. Em outra oportunidade detalharei o assunto.
Finalmente cheguei a um consenso estomacal. Vou falar a respeito da obra de alguém. Dei-me conta de que, apesar desta terra não possuir balaios de artistas na música voltados ao trabalho autoral, pelo menos os poucos que restam têm um trabalho interessante. Dei uma escaneada à minha volta e enxerguei um baixinho abusado que foi meu professor durante os cinco primeiros períodos na Faculdade: Adelson Santos. Muitos o conhecem como professor de violão, maestro e autor de Dessana Dessana juntamente com Márcio Souza. Todavia, o nome Adelson Santo soa muito mais que isso para a sociedade manauara. O período compreendido entre o final do anos 70 e início dos 80 foi promissor e notável para este artista/professor e para o delineamento da literatura musical no entorno manauara. Digo isso pois o trabalho intitulado “Argumento”, mais conhecido como “Não mate a mata”, inaugura, a meu ver, algo que ressoa até os dias de hoje na mente do compositor regional com “Música Verde”, ou música de temática ecológica. Acredito ter encontrado em Adelson Santos o elo perdido entre o que chamam erroneamente de MPA e a música produzida em Manaus até os anos 60. Apenas quero lembrar que estou no início das pesquisas e todas estas pressuposições podem cair por terra no andar da carroagem. Espero que não. E, mesmo não tendo encontrado o Santo-gral da MPA, farei este trabalho de pesquisa com imensa satisfação, pois já está na hora de dar a César o que é de César e a Adelson o que foi roubado dele.
Bero Vidal,
Manaus, 25 de dezembro de 2008
[2008] Bero Vidal - O Lado de Lá (EP)

Este EP é composto de seis músicas no estilo Rock/folk e é o meu primeiro trabalho como álbum feito exclusivamente para a Internet. Valorizando as letras, os temas transitam desde filosofia existencial ao paradoxo do amor à máquina no século 21 e ao paradigma religioso no início do milênio. Há uma valorização dos violões para que a letra possa ser melhor assimilada e degustada.
Faça o download
[2008] BERO VIDAL "O LADO DE LÁ"
Produzido,arranjado e tocado por Bero Vidal, em Junho de 2008, com exceção da faixa 6 - Produzido em agosto de 1994.
Todas as letras e Músicas: Bero Vidal (2004)
01. SEGREDOS E DERROTAS
Você sabe que vencer não é a questão
Que os vencidos sempre esperam bem depois
Que o coração não pára quando a gente mais espera
Quando vemos nossa face no espelho, derrotada,
Quando temos um segredo publicado
E esperamos mãos nas sombras e encontramos traição
Hoje encontro em meu olhar o que amanhã será apenas ilusão
É difícil esconder quando se chora
Como é fácil desistir na imensidão
Você sabe que as fraquezas surgirão
Você sabe que os vencidos herdarão
Você sabe que os segredos só trarão sua derrota
Você sabe disso tudo e quem sou eu?
Quem sou eu que lhe perdeu?
Quem sou eu que se perdeu?
Quem sou eu?
Hoje encontro em meu olhar
O que amanhã o mundo inteiro esqueceu.
02. BURQA
Como é duro ver a fé
Por trás de burqa enegrecida pela dor
Como gado enfileirado para o abate
Como que já não tivesse mais motivo pra viver
De tão cansada de tortura e tão calada
E massacrada pelos seus e pelo céu do que ela crê
E como vermes rastejando se atiram sobre torres
Como ratos se escondem e espalham a doença
E como homens
Fogem do que são
Matam o que são
E o que eles são não quero ser
Mas são apenas a escória do que somos, do que temos
E do que desejam ter
(E do que desejam ser)
03. ENQUANTO
Temos o dia quase inteiro e muito mais
Temos a tarde toda e o tempo dos nossos ancestrais
Temos sempre medo de viver
Temos sempre algo a fazer
Temos os dias quase todos sem ter paz
Temos à tarde todo o tempo dos nossos ancestrais
Temos sempre medo de viver
Temos sempre algo a fazer
Enquanto as lágrimas correm longe deste mar
Enquanto as famílias morrem longe deste lar
Enquanto os homens caminham pro lado de lá
Temos os dias quase todos sem ter paz
Temos a tarde, o todo e o tempo dos nossos ancestrais
Temos sempre medo de viver
Temos sempre algo a fazer
Enquanto as lágrimas correm longe deste mar
Enquanto as famílias morrem longe deste lar
Enquanto os homens caminham pro lado de lá
04. ENIAC
Quanto à solidão, não falo nada
Vivo sozinho também
Não tenho medo dos sonhos
Eles nunca cansarão
Meu sangue insiste em lutar contra o mundo
Pálido
Áspero
E doente
Você fugiu quando viu o tempo escurecer
E as lembranças se tornaram rasas e confusas
E eu lhe tive em minha dor
Meu câncer brota
E eu lhe tive em minha cor
Pálida
Áspera
E doente
Já não tenho seus desejos
Eles nos têm como fantoches que a chuva disseca
Não se afaste de mim
Eles se aproximam mais
Não sou covarde, mas não me deixe só
Quero sentir o seu suor
Tão insistente, indo ao pó
E escorrendo em minhas mãos cansadas
Mas ninguém viu, nem quer ver
E ninguém disse as palavras que há tanto se eram ouvidas
Deixa pra lá: Nosso perdão é uma criança
05. MEMÓRIA DO VENTO
Procurando o que eu não sei
Sem ter medo de perder ou ganhar
Os sonhos somem no ar
Esquecendo o que passou
Relembrando quem te amou
Teu desejo é o que sempre te guiou
Não importa se perdemos
Não importa quem ganhou
Só vivemos ao sabor do medo
Que medo é este que te faz pousar onde chegou?
Tua rua está vazia
Em que tempo ela ficou
Quando o vento trouxe os sonhos que jogou
Os teus erros aprenderam
Que errar é não tentar
Tanta gente vem e vai sem se amar
Não importa se perdemos
Não importa quem ganhou
Só vivemos ao sabor do medo
Que medo é este que te faz pousar onde chegou?
Procurando o que eu não se...
06. PLÊIADE
A Crueldade com que invade o sorriso
É mais promíscua que a grandeza da existência humana.
E todos sabem, mas esquecem,
E, quando fingem esquecer, já viram pó.
Vocês já viram minha humanidade
Perdida entre as torres ébrias do porvir?
Mas é só você quem gosta do que falo
E é só você quem não está aqui
Tiraram seu sorriso dos meus braços
E você falava coisas que eu queria ouvir
Não me deixe pois a glória já floresce há muito tempo
Nosso pranto é só um canto de profundas teorias
Meu amor
Nossa vida é como um jarro sem ter flor
Nosso medo é como um beijo sem sabor
A Crueldade com que invade o sorriso
É mais promíscua que a grandeza da existência humana
Mas é só você quem gosta do que falo
E é só você quem não está aqui
Tiraram seu sorriso dos meus braços
E você falava coisas que eles não queriam ouvir
