quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Trabalho Final de Graduação em Música

Ilustração: Josenor e Everaldo Mundurucu, By: Bero Vidal


Meu trabalho de graduação de Curso na UEA seria sobre tecnologia e música, especificamente sobre as possibilidades de democratização sonora utilizando a web. Democratização sonora é o termo que utilizo para designar o processo de aquisição de músicas jamais imaginadas de conseguir a até cinco anos atrás. Seria algo novo e poderia ampliar os horizontes acadêmicos quanto à musicologia contemporânea. Estava empolgado e li alguns livros a respeito da evolução das tecnologias de gravações para que eu pudesse estabelecer um paralelo entre artistas, produtores, cientistas e o grande público, imaginando sempre em fazer algo realmente grande de conteúdo. Percebi no entretenimento a mola propulsora do século XX e a força de impulso da sociedade do século XXI, eterna utilizadora das maravilhas saídas dos fornos dos laboratórios. Compreendi o acentuado status de poder, de ser e de não-ser embasados na diversão. Brotaram em meus olhos mil e uma possibilidades de convencer a banca da Academia sobre o perigo de deixar exposto às traças dos arquivos das gravadoras todas as relíquias construídas durante as doze últimas décadas. Entretanto, também seria um perigo expor pensamentos a esta mesma banca sobre democratização sonora, já que geralmente os doutores acadêmicos trancam-se em castas, e são estes que constituem a banca. Talvez fosse como pérolas jogadas aos porcos. Este não é o termo certo para usar para a nata da intelectualidade, mas, infelizmente, os valores no século XXI estão invertidos. Ma seu não me desanimei por completo. Mesmo prevendo a possibilidade de eu não realizar este trabalho acadêmico, senti-me atraído a estudar ainda mais o assunto. Tenho algumas opiniões formadas a esse respeito e, a cada dia, petrifico ainda mais minhas certezas, pois a pedra, mesmo moída, ainda pode transformar-se em cimento. Em outra oportunidade, escreverei especificamente sobre este assunto. Hoje é sobre graduar-se!

 

Migrei para educação musical. Dói o meu estômago só de pensar nos PCNs para artes. Será que eu poderia chamar aquilo de engodo? É tão elevado e ao mesmo tempo tão inútil. Diz tanto e acaba não dizendo coisa alguma. Comprei no Arqueólogo por RS 18 ,00 um dos exemplares raros de 1ª edição deste logro. É neste estratagema que está inserida a ramificação musical das artes. Esta belezoca literária determina aos professores de Ensino Médio a preparar os alunos para a genialidade musical, desde composição polifônica à construção de instrumentos musicais de diversos timbres e registros. Nem os graduados sabem tal feito! Recusei-me novamente. Apesar de saber que interessaria a banca um trabalho como este, pois está ligado diretamente aos pré-universitários de música e à qualificação educacional musical, meu estômago recusou tal assunto. Só de escrever este parágrafo já fico nervoso de raiva. Em outra oportunidade detalharei o assunto.

 

Finalmente cheguei a um consenso estomacal. Vou falar a respeito da obra de alguém. Dei-me conta de que, apesar desta terra não possuir balaios de artistas na música voltados ao trabalho autoral, pelo menos os poucos que restam têm um trabalho interessante. Dei uma escaneada à minha volta e enxerguei um baixinho abusado que foi meu professor durante os cinco primeiros períodos na Faculdade: Adelson Santos. Muitos o conhecem como professor de violão, maestro e autor de Dessana Dessana juntamente com Márcio Souza. Todavia, o nome Adelson Santo soa muito mais que isso para a sociedade manauara. O período compreendido entre o final do anos 70 e início dos 80 foi promissor e notável para este artista/professor e para o delineamento da literatura musical no entorno manauara. Digo isso pois o trabalho intitulado “Argumento”, mais conhecido como “Não mate a mata”, inaugura, a meu ver, algo que ressoa até os dias de hoje na mente do compositor regional com “Música Verde”, ou música de temática ecológica. Acredito ter encontrado em Adelson Santos o elo perdido entre o que chamam erroneamente de MPA e a música produzida em Manaus até os anos 60. Apenas quero lembrar que estou no início das pesquisas e todas estas pressuposições podem cair por terra no andar da carroagem. Espero que não. E, mesmo não tendo encontrado o Santo-gral da MPA, farei este trabalho de pesquisa com imensa satisfação, pois já está na hora de dar a César o que é de César e a Adelson o que foi roubado dele.

 

Bero Vidal,

Manaus, 25 de dezembro de 2008

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