sábado, 27 de dezembro de 2008

Saiba como Gravar um Bom som com Baixos Custos



Maria Rita usou um método muito bom e barato para gravar o seu segundo disco (chamado Segundo). Este esquema técnico de gravação é muito bom para quem tem pouca grana e, no fim de tudo, traz um resultado bastante satisfatório. Independente de gostarmos ou não do estilo ou das músicas que ela gravou, é bom avaliarmos "como" ela as gravou. 

São quatro músico que participam do seu disco, contando com ela: Contrabaixo acústico, piano, bateria e voz. O disco foi gravado, basicamente como em um show ao vivo, só que no estúdio. Todos os instrumentos são gravados em faixas separadas, obedecendo as regras para a mixagem. É lógico que para a gravação ficar muito boa, o fator "técnico de gravação" conta muito. É preciso ter um profissonal com conhecimento absoluto de microfones e vazamentos de som. O estúdio em que você for gravar precisa, necessariamente ter equipamentos de captação bem precisos. Os estúdios que possuem estes equipamentos cobram muito caro, porém, da forma que estou falando, poderemos usar estes bons estúdios com apenas poucas horas de gravação, já que tudo funcionará como se fosse em um show. 

Seis horas de estúdio são suficientes para gravar um disco inteiro desta forma. Depois negocia-se o preço da mixagem sem levar em conta as horas, somente o trabalho que o estúdio terá, e, depois, contrata-se um outro estúdio (ou pode ser até o mesmo) para a masterização. Se formos colocar no papel a quantidade de horas no estúdio, vai equivaler a, no máximo, uma sessão (seis horas). Se cada hora de um estúdio bom é, em média, R$ 50, na teoria, teremos 300 reias de despesas na gravação. Então, depois de gravado, negocia-se com um outro estúdio (ou com o mesmo) para a mixagem e masterização. 

Antes de entrar no estúdio, porém, é necessário que a banda conheça em 100% a música que será gravada. Isto se chama Pré-Produção. Para isto, é preciso definir o andamento de cada música, pregravando em mid o metrônomo de cada uma, dando um espaço de 2 compassos de uma para outra. Faça metrônomos exatamente do tamanho de cada música que a banda irá gravar (pode ser feito em programas como Cakewalk ou afins) e depois transforme-os em wav. Transforme os wavs dos metrônomos em áudio e treine junto com o metrônomo, pois este vai ser a cúnica guia de tempo que se terá no estúdio. Façam quantos ensaios forem necessários até atingir o objetivo pretendido. 

Na realidade, você e o restante da sua banda precisa entrar para a gravação afiados como em um show. No show você não pode errar, como também nesta gravação. Não é interessante um indivíduo fazer duas coisas ao mesmo tempo, como tocar guitarra e fazer back vocal. O interessante é que cada um se concentre apenas no seu instrumento ou na sua voz. Se sua banda é pequena, junte mais uma graninha e contrate algumas pessoas (profissionais) para fazer uma "banda de apoio". Será um dinheiro gasto por apenas um dia, porém lhe trará frutos valiosos, dependendo do trabalho. 

No geral, se sua banda é de três pessoas, baixo, guitarra e bateria, você pode optar por um som cru como o do Red Hot, ou chamar mais alguém para fazer os teclados (que não precisa fazer parte da banda), ampliando a sonoridade da base. Se desejar que algumas músicas tenham um som mais "cozido", é bom colocar um violão, mas que a captação seja feita unpluged e ao mesmo tempo ligado em um cabo. Se achar que a bateria tenha um apoio, contrate um ou dois percussionistas. E, por fim, se quiser um apoio vocal, contrate um back masculino e um feminino. E faça ao "vivo no estúdio". Desta forma, o público sentirá a verdadeira "pegada" da banda, mas sem o ruído incômodo da galera. 

Compre um caderno para anotar todas as coisas importantes durante o processo de ensaios. Coloque despesas como alimentação e transporte. Este caderno servirá para fazer uma cronometragem do processo. Com este caderno (que pode ser uma espécie de agenda), você anotará tudo que será gasto e em que dias vão ensaiar, gravar, mixar e masterizar. Ele será a caixa registradora da banda durante a empreita. Ele será o coração e o bolso da banda. 

Acredito que as maiores despesas estarão durante os ensaios. Se sua banda tiver um local de ensaio, vai ser meio caminho andado. 

Há algo muito importante a ser lembrado. Se a produção do seu pretendido disco tiver muitas convenções e arranjos mais elaborados, é interessante contratar uma pessoa para auxiliar na produção. Na realidade, não será um produtor, será, sim, uma espécie de diretor musical que fará com que o ritmo flua durante os ensaios, relembrando o que cada membro tem de fazer. Ele será um guia musical para a banda. A função deste indivíduo não é fazer arranjos, ou fazer a sonoridade da banda. Sua função é, sim, fazer com que os membros da banda permaneçam no ritmo, na harmonia e na afinação. Ele será um consultor para soluções dos problemas técnicos e terá a obrigação de fazer com que todos os instrumentos soem harmonicamente. Em todo caso, este profissional é um detalhe dependendo do objetivo do trabalho a ser gravado. 

• Não esqueçam de compra um HD de 80G para ter em mãos o seu trabalho e facilitar o processo se for preciso trocar de estúdio entre a gravação e masterização. 

• Comprem cordas novas para a gravação e vejam se as peles da bateria não estão gastas. 

• Contratem cada músico de apoio como se ele fosse participar de um show 

• Façam o repertório, anotando, em cada música, os instrumentos e os timbres que serão usados em cada música 

• Se no disco for utilizado muitos instrumentos, não utilize-os de uma vez só em todas as músicas. Isto pode deixar o trabalho cansativo. O ideal é que haja nuances entre as músicas, com cestos contrastes instrumentais; 


O mais importanete não é a pós-produção. As coisas têm que ser feitas gradualmente. 

PRÉ-PRODUÇÃO 

• Se você não tem o que gravar, o mais importanet é fazer um repertório; 

• Depois de feito o repertório, trabalhe nos arranjos, anotando tudo o que for preciso, desde os acordes em cifras ou em partituras até possíveis solos. Nesta fase, ainda não há preocupação com ensaios. Esta é a fase de se colocar as idéias básicas para as músicas, diferenciando-as umas das outras, ou até mesmo fazendo um elo entre ambas, se for um disco de caráter progressivo. Esta fase é crucial para o desenvolvimento futuro do trabalho. É nesta etapa que são definidos a quantidade de pessoas que participará do projeto, entre músicos e pessoal de apoio. Geralmente, começa-se os ensaios quando o repertório, arranjos e a quantidade de profissionais estão pré estabelecidos. 

• Antes de começar os ensaios, grave em um gravador digital ou analógico simples todas as músicas, na sequencia certa, com voz e violão. Transforme-as em um CD simples, que servirá de base para o restante da banda, para que todos conheçam a música e não percam tempo aprendendo os acordes nos ensaios. Faz-se necessário também que sejam distribuídas para cada membro a letra da música com suas cifras. É importante que nos papés impressos com as letras estejam descritos quantas vezes a música irá repetir, os locais das convenções, estrofes e refrões (se houver), etc. 

• A partir de agora, começa-se a mexer no bolso. Anteriormente, as únicas despesas foram: gravar vários CDzinhos com o repertório gravado em violão e, se não souberem como gravar este cdzinho, postem que esclarecerei dúvidas; foi gasto com a impressão das letras e só. A despeza para isto não passa de R50,00. 

• Entre em contato com os músicos de apoio, negociando desde já o preço que cada um cobrará. 

• O período de ensaios deve durar entre uma a duas semanas. Mais que isso, o trabalho torna-se inviável para quem quer poucas despezas. 

• Para a galera começar os ensaios, é necessário fazer um cronograma de ensaios. O ideal é que cada música seja ensaiada diariamente. Aí entra um detalhe. É importante que a banda tenha um local de ensaios. Se, infelizmente, a banda não tiver este local, terá de desembolsar uma grana extra para pagar o estúdio de ensaio. O ideal é fazer ensaios diários de quatro horas. É importante que estes ensaios sejam gravados em gravador simples, para que se escutem depois, avaliando a si próprios. 

• Os ensaios podem ocorrer pela manhã e a avaliação dos ensaios gravados em L/R poderão ser à tarde. É importante que NENHUM membro falte a qualquer ensaios. Ensaie com metrônomo. (releia a primeira mensagem que conterá alguns detalhes sobre isto) 

• Em uma semana, seguindo este ritmo, com certeza já estarão afiadas dez músicas, pelo menos. Só então entraremos para a 


GRAVAÇÃO (que poderemos chamar de PRODUÇÃO) 

• Aluga-se um bom estúdio com equipamentos de captação de som que seja dos melhores. Os tracks terão de se gravados em pistas separadas, apesar de todos estarem tocando ao memso tempo. É imprensidível que este estúdio tenha um bom técnico de gravação. 

• Grava-se. Não toque com muita fúria, toque apenas com "pegada". A mixagem será responsavel por boa parte da intensidade musical.

PÓS-PRODUÇÃO 

• Nesta fase, os músicos de apoio já não são necessários. Em primeiro lugar, faz-se a mixagem, retirando todas as sujeiras provinientes de possíveis vazamentos. Alguns preferem deixar as sujeiras e isso fica a cargo do objetivo do trabalho. O mais importante da mixagem é fazer com que todos os instrumentos tenham o nível de intensidade necessário para o crescimento ou leveza da música. É importante que o técnico que fará a mixagem tenha bastante experiência. Exija isto, pois você estará pagando. Acompanhe todo o processo, dando sujestões de como a música deve ser timbrada e quais instrumentos devem sobressair-se. 

• Feito a mixagem, o último estágio é a masterização. Algumas mixagens saem tão bem feitas que o pré-master já vem quase como master. Em todo caso, é muito importante contratar pessoas especializadas nesta área, pois o trabalho será muito mais valorizado. O brilho dos instrumentos estará mais visível. Os decibéis serão padronizados para zero Db. Exija experiência da empresa ou técnico que fará isto para você. Não confie esta etapara para oSound Forge, como fazem muitas pessoas, querendo economizar um pouco mais, porém comprometendo a qualidade do trabalho. 

Ao meu ver, muito mais que a produção e pós-produção é a PRÉ-PRODUÇÃO, pois é ali que está contido o cerne de tudo que se seguirá. A gravação em um hotel só foi possível porque houve pessoas envolvidas no processo, trazendo os equipamentos necessários para que aquilo ocorresse. 

É isso. 
Espero que sirva pra alguns.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Trabalho Final de Graduação em Música

Ilustração: Josenor e Everaldo Mundurucu, By: Bero Vidal


Meu trabalho de graduação de Curso na UEA seria sobre tecnologia e música, especificamente sobre as possibilidades de democratização sonora utilizando a web. Democratização sonora é o termo que utilizo para designar o processo de aquisição de músicas jamais imaginadas de conseguir a até cinco anos atrás. Seria algo novo e poderia ampliar os horizontes acadêmicos quanto à musicologia contemporânea. Estava empolgado e li alguns livros a respeito da evolução das tecnologias de gravações para que eu pudesse estabelecer um paralelo entre artistas, produtores, cientistas e o grande público, imaginando sempre em fazer algo realmente grande de conteúdo. Percebi no entretenimento a mola propulsora do século XX e a força de impulso da sociedade do século XXI, eterna utilizadora das maravilhas saídas dos fornos dos laboratórios. Compreendi o acentuado status de poder, de ser e de não-ser embasados na diversão. Brotaram em meus olhos mil e uma possibilidades de convencer a banca da Academia sobre o perigo de deixar exposto às traças dos arquivos das gravadoras todas as relíquias construídas durante as doze últimas décadas. Entretanto, também seria um perigo expor pensamentos a esta mesma banca sobre democratização sonora, já que geralmente os doutores acadêmicos trancam-se em castas, e são estes que constituem a banca. Talvez fosse como pérolas jogadas aos porcos. Este não é o termo certo para usar para a nata da intelectualidade, mas, infelizmente, os valores no século XXI estão invertidos. Ma seu não me desanimei por completo. Mesmo prevendo a possibilidade de eu não realizar este trabalho acadêmico, senti-me atraído a estudar ainda mais o assunto. Tenho algumas opiniões formadas a esse respeito e, a cada dia, petrifico ainda mais minhas certezas, pois a pedra, mesmo moída, ainda pode transformar-se em cimento. Em outra oportunidade, escreverei especificamente sobre este assunto. Hoje é sobre graduar-se!

 

Migrei para educação musical. Dói o meu estômago só de pensar nos PCNs para artes. Será que eu poderia chamar aquilo de engodo? É tão elevado e ao mesmo tempo tão inútil. Diz tanto e acaba não dizendo coisa alguma. Comprei no Arqueólogo por RS 18 ,00 um dos exemplares raros de 1ª edição deste logro. É neste estratagema que está inserida a ramificação musical das artes. Esta belezoca literária determina aos professores de Ensino Médio a preparar os alunos para a genialidade musical, desde composição polifônica à construção de instrumentos musicais de diversos timbres e registros. Nem os graduados sabem tal feito! Recusei-me novamente. Apesar de saber que interessaria a banca um trabalho como este, pois está ligado diretamente aos pré-universitários de música e à qualificação educacional musical, meu estômago recusou tal assunto. Só de escrever este parágrafo já fico nervoso de raiva. Em outra oportunidade detalharei o assunto.

 

Finalmente cheguei a um consenso estomacal. Vou falar a respeito da obra de alguém. Dei-me conta de que, apesar desta terra não possuir balaios de artistas na música voltados ao trabalho autoral, pelo menos os poucos que restam têm um trabalho interessante. Dei uma escaneada à minha volta e enxerguei um baixinho abusado que foi meu professor durante os cinco primeiros períodos na Faculdade: Adelson Santos. Muitos o conhecem como professor de violão, maestro e autor de Dessana Dessana juntamente com Márcio Souza. Todavia, o nome Adelson Santo soa muito mais que isso para a sociedade manauara. O período compreendido entre o final do anos 70 e início dos 80 foi promissor e notável para este artista/professor e para o delineamento da literatura musical no entorno manauara. Digo isso pois o trabalho intitulado “Argumento”, mais conhecido como “Não mate a mata”, inaugura, a meu ver, algo que ressoa até os dias de hoje na mente do compositor regional com “Música Verde”, ou música de temática ecológica. Acredito ter encontrado em Adelson Santos o elo perdido entre o que chamam erroneamente de MPA e a música produzida em Manaus até os anos 60. Apenas quero lembrar que estou no início das pesquisas e todas estas pressuposições podem cair por terra no andar da carroagem. Espero que não. E, mesmo não tendo encontrado o Santo-gral da MPA, farei este trabalho de pesquisa com imensa satisfação, pois já está na hora de dar a César o que é de César e a Adelson o que foi roubado dele.

 

Bero Vidal,

Manaus, 25 de dezembro de 2008

[2008] Bero Vidal - O Lado de Lá (EP)












Este EP é composto de seis músicas no estilo Rock/folk e é o meu primeiro trabalho como álbum feito exclusivamente para a Internet. Valorizando as letras, os temas transitam desde filosofia existencial ao paradoxo do amor à máquina no século 21 e ao paradigma religioso no início do milênio. Há uma valorização dos violões para que a letra possa ser melhor assimilada e degustada.


Faça o download

Versão Original 

Versão de violão 


[2008] BERO VIDAL "O LADO DE LÁ"

Produzido,arranjado e tocado por Bero Vidal, em Junho de 2008, com exceção da faixa 6 - Produzido em agosto de 1994.

Todas as letras e Músicas: Bero Vidal (2004)


01. SEGREDOS E DERROTAS

Você sabe que vencer não é a questão

Que os vencidos sempre esperam bem depois

Que o coração não pára quando a gente mais espera

Quando vemos nossa face no espelho, derrotada,

Quando temos um segredo publicado

E esperamos mãos nas sombras e encontramos traição

Hoje encontro em meu olhar o que amanhã será apenas ilusão

É difícil esconder quando se chora

Como é fácil desistir na imensidão


Você sabe que as fraquezas surgirão

Você sabe que os vencidos herdarão

Você sabe que os segredos só trarão sua derrota

Você sabe disso tudo e quem sou eu?

Quem sou eu que lhe perdeu?

Quem sou eu que se perdeu?

Quem sou eu?


Hoje encontro em meu olhar

O que amanhã o mundo inteiro esqueceu.


02. BURQA


Como é duro ver a fé

Por trás de burqa enegrecida pela dor

Como gado enfileirado para o abate

Como que já não tivesse mais motivo pra viver

De tão cansada de tortura e tão calada

E massacrada pelos seus e pelo céu do que ela crê


E como vermes rastejando se atiram sobre torres

Como ratos se escondem e espalham a doença

E como homens

Fogem do que são

Matam o que são

E o que eles são não quero ser

Mas são apenas a escória do que somos, do que temos

E do que desejam ter


(E do que desejam ser)


03. ENQUANTO


Temos o dia quase inteiro e muito mais

Temos a tarde toda e o tempo dos nossos ancestrais

Temos sempre medo de viver

Temos sempre algo a fazer


Temos os dias quase todos sem ter paz

Temos à tarde todo o tempo dos nossos ancestrais

Temos sempre medo de viver

Temos sempre algo a fazer


Enquanto as lágrimas correm longe deste mar

Enquanto as famílias morrem longe deste lar

Enquanto os homens caminham pro lado de lá


Temos os dias quase todos sem ter paz

Temos a tarde, o todo e o tempo dos nossos ancestrais

Temos sempre medo de viver

Temos sempre algo a fazer


Enquanto as lágrimas correm longe deste mar

Enquanto as famílias morrem longe deste lar

Enquanto os homens caminham pro lado de lá


04. ENIAC


Quanto à solidão, não falo nada

Vivo sozinho também

Não tenho medo dos sonhos

Eles nunca cansarão

Meu sangue insiste em lutar contra o mundo

Pálido

Áspero

E doente


Você fugiu quando viu o tempo escurecer

E as lembranças se tornaram rasas e confusas


E eu lhe tive em minha dor

Meu câncer brota

E eu lhe tive em minha cor

Pálida

Áspera

E doente


Já não tenho seus desejos

Eles nos têm como fantoches que a chuva disseca

Não se afaste de mim

Eles se aproximam mais

Não sou covarde, mas não me deixe só

Quero sentir o seu suor

Tão insistente, indo ao pó

E escorrendo em minhas mãos cansadas


Mas ninguém viu, nem quer ver

E ninguém disse as palavras que há tanto se eram ouvidas


Deixa pra lá: Nosso perdão é uma criança 



05. MEMÓRIA DO VENTO


Procurando o que eu não sei

Sem ter medo de perder ou ganhar

Os sonhos somem no ar

Esquecendo o que passou

Relembrando quem te amou

Teu desejo é o que sempre te guiou


Não importa se perdemos

Não importa quem ganhou

Só vivemos ao sabor do medo

Que medo é este que te faz pousar onde chegou?


Tua rua está vazia

Em que tempo ela ficou

Quando o vento trouxe os sonhos que jogou

Os teus erros aprenderam

Que errar é não tentar

Tanta gente vem e vai sem se amar


Não importa se perdemos

Não importa quem ganhou

Só vivemos ao sabor do medo

Que medo é este que te faz pousar onde chegou?


Procurando o que eu não se...



06. PLÊIADE


A Crueldade com que invade o sorriso

É mais promíscua que a grandeza da existência humana.

E todos sabem, mas esquecem,

E, quando fingem esquecer, já viram pó.


Vocês já viram minha humanidade

Perdida entre as torres ébrias do porvir?

Mas é só você quem gosta do que falo

E é só você quem não está aqui

Tiraram seu sorriso dos meus braços

E você falava coisas que eu queria ouvir


Não me deixe pois a glória já floresce há muito tempo

Nosso pranto é só um canto de profundas teorias

Meu amor

Nossa vida é como um jarro sem ter flor

Nosso medo é como um beijo sem sabor


A Crueldade com que invade o sorriso

É mais promíscua que a grandeza da existência humana

Mas é só você quem gosta do que falo

E é só você quem não está aqui

Tiraram seu sorriso dos meus braços

E você falava coisas que eles não queriam ouvir