
Este EP é composto de seis músicas no estilo Rock/folk e é o meu primeiro trabalho como álbum feito exclusivamente para a Internet. Valorizando as letras, os temas transitam desde filosofia existencial ao paradoxo do amor à máquina no século 21 e ao paradigma religioso no início do milênio. Há uma valorização dos violões para que a letra possa ser melhor assimilada e degustada.
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[2008] BERO VIDAL "O LADO DE LÁ"
Produzido,arranjado e tocado por Bero Vidal, em Junho de 2008, com exceção da faixa 6 - Produzido em agosto de 1994.
Todas as letras e Músicas: Bero Vidal (2004)
01. SEGREDOS E DERROTAS
Você sabe que vencer não é a questão
Que os vencidos sempre esperam bem depois
Que o coração não pára quando a gente mais espera
Quando vemos nossa face no espelho, derrotada,
Quando temos um segredo publicado
E esperamos mãos nas sombras e encontramos traição
Hoje encontro em meu olhar o que amanhã será apenas ilusão
É difícil esconder quando se chora
Como é fácil desistir na imensidão
Você sabe que as fraquezas surgirão
Você sabe que os vencidos herdarão
Você sabe que os segredos só trarão sua derrota
Você sabe disso tudo e quem sou eu?
Quem sou eu que lhe perdeu?
Quem sou eu que se perdeu?
Quem sou eu?
Hoje encontro em meu olhar
O que amanhã o mundo inteiro esqueceu.
02. BURQA
Como é duro ver a fé
Por trás de burqa enegrecida pela dor
Como gado enfileirado para o abate
Como que já não tivesse mais motivo pra viver
De tão cansada de tortura e tão calada
E massacrada pelos seus e pelo céu do que ela crê
E como vermes rastejando se atiram sobre torres
Como ratos se escondem e espalham a doença
E como homens
Fogem do que são
Matam o que são
E o que eles são não quero ser
Mas são apenas a escória do que somos, do que temos
E do que desejam ter
(E do que desejam ser)
03. ENQUANTO
Temos o dia quase inteiro e muito mais
Temos a tarde toda e o tempo dos nossos ancestrais
Temos sempre medo de viver
Temos sempre algo a fazer
Temos os dias quase todos sem ter paz
Temos à tarde todo o tempo dos nossos ancestrais
Temos sempre medo de viver
Temos sempre algo a fazer
Enquanto as lágrimas correm longe deste mar
Enquanto as famílias morrem longe deste lar
Enquanto os homens caminham pro lado de lá
Temos os dias quase todos sem ter paz
Temos a tarde, o todo e o tempo dos nossos ancestrais
Temos sempre medo de viver
Temos sempre algo a fazer
Enquanto as lágrimas correm longe deste mar
Enquanto as famílias morrem longe deste lar
Enquanto os homens caminham pro lado de lá
04. ENIAC
Quanto à solidão, não falo nada
Vivo sozinho também
Não tenho medo dos sonhos
Eles nunca cansarão
Meu sangue insiste em lutar contra o mundo
Pálido
Áspero
E doente
Você fugiu quando viu o tempo escurecer
E as lembranças se tornaram rasas e confusas
E eu lhe tive em minha dor
Meu câncer brota
E eu lhe tive em minha cor
Pálida
Áspera
E doente
Já não tenho seus desejos
Eles nos têm como fantoches que a chuva disseca
Não se afaste de mim
Eles se aproximam mais
Não sou covarde, mas não me deixe só
Quero sentir o seu suor
Tão insistente, indo ao pó
E escorrendo em minhas mãos cansadas
Mas ninguém viu, nem quer ver
E ninguém disse as palavras que há tanto se eram ouvidas
Deixa pra lá: Nosso perdão é uma criança
05. MEMÓRIA DO VENTO
Procurando o que eu não sei
Sem ter medo de perder ou ganhar
Os sonhos somem no ar
Esquecendo o que passou
Relembrando quem te amou
Teu desejo é o que sempre te guiou
Não importa se perdemos
Não importa quem ganhou
Só vivemos ao sabor do medo
Que medo é este que te faz pousar onde chegou?
Tua rua está vazia
Em que tempo ela ficou
Quando o vento trouxe os sonhos que jogou
Os teus erros aprenderam
Que errar é não tentar
Tanta gente vem e vai sem se amar
Não importa se perdemos
Não importa quem ganhou
Só vivemos ao sabor do medo
Que medo é este que te faz pousar onde chegou?
Procurando o que eu não se...
06. PLÊIADE
A Crueldade com que invade o sorriso
É mais promíscua que a grandeza da existência humana.
E todos sabem, mas esquecem,
E, quando fingem esquecer, já viram pó.
Vocês já viram minha humanidade
Perdida entre as torres ébrias do porvir?
Mas é só você quem gosta do que falo
E é só você quem não está aqui
Tiraram seu sorriso dos meus braços
E você falava coisas que eu queria ouvir
Não me deixe pois a glória já floresce há muito tempo
Nosso pranto é só um canto de profundas teorias
Meu amor
Nossa vida é como um jarro sem ter flor
Nosso medo é como um beijo sem sabor
A Crueldade com que invade o sorriso
É mais promíscua que a grandeza da existência humana
Mas é só você quem gosta do que falo
E é só você quem não está aqui
Tiraram seu sorriso dos meus braços
E você falava coisas que eles não queriam ouvir

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