quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

[2008] Bero Vidal - O Lado de Lá (EP)












Este EP é composto de seis músicas no estilo Rock/folk e é o meu primeiro trabalho como álbum feito exclusivamente para a Internet. Valorizando as letras, os temas transitam desde filosofia existencial ao paradoxo do amor à máquina no século 21 e ao paradigma religioso no início do milênio. Há uma valorização dos violões para que a letra possa ser melhor assimilada e degustada.


Faça o download

Versão Original 

Versão de violão 


[2008] BERO VIDAL "O LADO DE LÁ"

Produzido,arranjado e tocado por Bero Vidal, em Junho de 2008, com exceção da faixa 6 - Produzido em agosto de 1994.

Todas as letras e Músicas: Bero Vidal (2004)


01. SEGREDOS E DERROTAS

Você sabe que vencer não é a questão

Que os vencidos sempre esperam bem depois

Que o coração não pára quando a gente mais espera

Quando vemos nossa face no espelho, derrotada,

Quando temos um segredo publicado

E esperamos mãos nas sombras e encontramos traição

Hoje encontro em meu olhar o que amanhã será apenas ilusão

É difícil esconder quando se chora

Como é fácil desistir na imensidão


Você sabe que as fraquezas surgirão

Você sabe que os vencidos herdarão

Você sabe que os segredos só trarão sua derrota

Você sabe disso tudo e quem sou eu?

Quem sou eu que lhe perdeu?

Quem sou eu que se perdeu?

Quem sou eu?


Hoje encontro em meu olhar

O que amanhã o mundo inteiro esqueceu.


02. BURQA


Como é duro ver a fé

Por trás de burqa enegrecida pela dor

Como gado enfileirado para o abate

Como que já não tivesse mais motivo pra viver

De tão cansada de tortura e tão calada

E massacrada pelos seus e pelo céu do que ela crê


E como vermes rastejando se atiram sobre torres

Como ratos se escondem e espalham a doença

E como homens

Fogem do que são

Matam o que são

E o que eles são não quero ser

Mas são apenas a escória do que somos, do que temos

E do que desejam ter


(E do que desejam ser)


03. ENQUANTO


Temos o dia quase inteiro e muito mais

Temos a tarde toda e o tempo dos nossos ancestrais

Temos sempre medo de viver

Temos sempre algo a fazer


Temos os dias quase todos sem ter paz

Temos à tarde todo o tempo dos nossos ancestrais

Temos sempre medo de viver

Temos sempre algo a fazer


Enquanto as lágrimas correm longe deste mar

Enquanto as famílias morrem longe deste lar

Enquanto os homens caminham pro lado de lá


Temos os dias quase todos sem ter paz

Temos a tarde, o todo e o tempo dos nossos ancestrais

Temos sempre medo de viver

Temos sempre algo a fazer


Enquanto as lágrimas correm longe deste mar

Enquanto as famílias morrem longe deste lar

Enquanto os homens caminham pro lado de lá


04. ENIAC


Quanto à solidão, não falo nada

Vivo sozinho também

Não tenho medo dos sonhos

Eles nunca cansarão

Meu sangue insiste em lutar contra o mundo

Pálido

Áspero

E doente


Você fugiu quando viu o tempo escurecer

E as lembranças se tornaram rasas e confusas


E eu lhe tive em minha dor

Meu câncer brota

E eu lhe tive em minha cor

Pálida

Áspera

E doente


Já não tenho seus desejos

Eles nos têm como fantoches que a chuva disseca

Não se afaste de mim

Eles se aproximam mais

Não sou covarde, mas não me deixe só

Quero sentir o seu suor

Tão insistente, indo ao pó

E escorrendo em minhas mãos cansadas


Mas ninguém viu, nem quer ver

E ninguém disse as palavras que há tanto se eram ouvidas


Deixa pra lá: Nosso perdão é uma criança 



05. MEMÓRIA DO VENTO


Procurando o que eu não sei

Sem ter medo de perder ou ganhar

Os sonhos somem no ar

Esquecendo o que passou

Relembrando quem te amou

Teu desejo é o que sempre te guiou


Não importa se perdemos

Não importa quem ganhou

Só vivemos ao sabor do medo

Que medo é este que te faz pousar onde chegou?


Tua rua está vazia

Em que tempo ela ficou

Quando o vento trouxe os sonhos que jogou

Os teus erros aprenderam

Que errar é não tentar

Tanta gente vem e vai sem se amar


Não importa se perdemos

Não importa quem ganhou

Só vivemos ao sabor do medo

Que medo é este que te faz pousar onde chegou?


Procurando o que eu não se...



06. PLÊIADE


A Crueldade com que invade o sorriso

É mais promíscua que a grandeza da existência humana.

E todos sabem, mas esquecem,

E, quando fingem esquecer, já viram pó.


Vocês já viram minha humanidade

Perdida entre as torres ébrias do porvir?

Mas é só você quem gosta do que falo

E é só você quem não está aqui

Tiraram seu sorriso dos meus braços

E você falava coisas que eu queria ouvir


Não me deixe pois a glória já floresce há muito tempo

Nosso pranto é só um canto de profundas teorias

Meu amor

Nossa vida é como um jarro sem ter flor

Nosso medo é como um beijo sem sabor


A Crueldade com que invade o sorriso

É mais promíscua que a grandeza da existência humana

Mas é só você quem gosta do que falo

E é só você quem não está aqui

Tiraram seu sorriso dos meus braços

E você falava coisas que eles não queriam ouvir


Sem comentários:

Enviar um comentário